Desafios requentados e como não incorrer nos mesmos erros na construção de carreira

Tenho tentado retomar o hábito de escrever após alguns anos da minha formatura em jornalismo — 6, para ser mais exata — , embora eu escrevesse muito desde que me entendo por gente, um dos motivos de ter optado por esta graduação.

No (re)começo dessa jornada, algumas semanas atrás, estava indignada comigo mesma por ter deixado de lado não só este projeto de vida e de carreira, como meu interesse pelo jornalismo literário, o que já é tema para uma outra conversa. Mas (não tão) de repente, percebi que estava fugindo do meu próprio destino.

Ao que tudo indica, o propósito que passei tanto tempo buscando — e me sentindo perdida — sempre esteve bem debaixo do meu nariz, como meu irmão certa vez me alertou de que eu me daria conta um dia.

Acontece que, agora, tendo decidido resgatar este hábito e perseguir este caminho da escrita — que não sei bem onde vai dar, mas me parece o único possível para minha realização pessoal e profissional — já estou relembrando os motivos que me levaram a desistir dele temporariamente, ao esbarrar nos mesmos desafios e questionamentos que tive lá atrás.

Assim, quero deixá-los registrados, fazendo uma reflexão sobre cada ponto que me afligiu e me aflige, para evitar que eu volte a cometer os mesmos erros e, quem sabe, ajudar outras pessoas que estejam em situações parecidas com a minha.

1. “Estou confusa ainda quanto ao formato e aos canais em que devo publicar meus textos”

A solução que encontrei (pelo menos, temporariamente) é ir escrevendo e publicando onde der, como tenho feito já no Medium, aqui no meu blog (que demorou para sair, mas está finalmente “ativo”) e divulgando nas minhas redes sociais (Instagram, Facebook, Twitter, Whatsapp e LinkedIn). Conforme os “conselhos” que recebi de diferentes formas e pessoas, vou corrigindo e aprimorando no caminho, mas o primeiro passo é ter regularidade/constância, no que ainda peco.

2. “Receio não ter retorno financeiro com isso” (o que, portanto, justificaria eu não me dedicar ou não dedicar tempo a escrever)

Clichê, porém real: nunca vou saber se não tentar. Eu poderia muito bem ter aproveitado meu tempo livre para escrever mais, mesmo enquanto estive trabalhando em outros negócios ao longo desse tempo. Na pior das hipóteses, estaria cultivando um hobby, já que escrever faz parte de mim, como mencionei no início. Na melhor, eu já teria aprimorado bastante minha escrita e, talvez, conquistado algum reconhecimento e/ou oportunidades profissionais a partir disso, o que pretendo a partir de agora.

Além disso, preciso pedir licença e fazer uma pausa para dizer que, hoje, tenho uma cabeça e uma expectativa um pouco diferentes em relação ao dinheiro. Ainda acredito que ele seja importante para se ter uma vida digna, com certo conforto. Mas almejo um estilo de vida mais simples do que já sonhei um dia, tendo conforto mas também paz de espírito e tempo para viver de fato, sem tantos excessos.

Caso um dia eu consiga viver da escrita, maravilha! Contudo, mesmo que isso não seja possível, quero firmar esse compromisso comigo de não deixar de escrever. Talvez algumas fontes de renda que nem passam pela minha cabeça hoje possam surgir pelo meu caminho e cabe a mim, também, aprender a gerenciar melhor minhas finanças pessoais, familiares e profissionais.

3. “Dá muito trabalho e não há espaço no mercado ou reconhecimento profissional à altura do desgaste que pode me gerar” (esta se refere, mais especificamente, ao jornalismo literário)

Este é um ponto crucial na minha vida. Mais um clichê verdadeiro: tudo o que vale a pena nessa vida dá trabalho mesmo, e está mais do que na hora de eu encarar (ou parar de negar inconscientemente) este fato. Por muito tempo, quis evitar a dor, o sacrifício e me proteger do sofrimento. Já dei cabeçadas suficientes (assim espero) para entender que não chegarei muito longe agindo dessa maneira. Preciso realmente me abrir e estar disposta a “sangrar” se quiser realizar sonhos e atingir objetivos maiores.

4. “Já tem muitas pessoas fazendo o que quero fazer. Como vou competir com tanta gente mais experiente? Não tem espaço para mais ninguém brilhar nesse nicho/segmento”

Em quase todas as áreas em que eu trabalhei ou desejei trabalhar, tive essa mesma impressão: de que já havia muita gente boa e, consequentemente, nenhum espaço para alguém novo naquele ramo se destacar. De fato, existem algumas áreas mais saturadas que outras, mas em praticamente todas há algum nível de saturação.

Maquiagem, por exemplo, é uma área super saturada, aparentemente. Mas desde que tive essa impressão pela primeira vez lá atrás — o que inclusive contribuiu para que eu não investisse a sério nisso, que é outra das minhas paixões/habilidades — , já vi muitas maquiadoras e blogueiras de maquiagem novas surgirem, fazerem sucesso e até chegarem ao “topo” da profissão, mesmo que houvesse inúmeras outras já consolidadas na carreira antes delas.

Há também um fenômeno de que já ouvi falar algumas vezes, mas não saberia nomear ou me aprofundar por ora, mas que vejo acontecer na prática e tentarei explicar aqui brevemente. Dizem que quando você quer comprar um determinado modelo de carro, começa a ver vários dele pela rua, mesmo que não mude seus trajetos habituais, nos quais antes não via tantos carros daquele modelo desejado. Será que todo mundo resolveu comprar o mesmo carro que você ao mesmo tempo?

Na verdade, quando colocamos nossa atenção em algo, passamos a enxergar coisas que antes não nos chamavam a atenção justamente porque não estávamos procurando/focando naquilo.

Assim está começando a acontecer comigo mais uma vez agora. Me parece que começaram a pipocar milhares de perfis de escritores(as) em todas as minhas redes sociais e eu passei a descobrir vários outros que eu nem fazia ideia de que existiam. Socorro, será que todo mundo resolveu virar escritor(a) e já acabaram as vagas no mundo pra quem quer ter essa profissão?

Finalizo este apanhado dos meus desafios novos e antigos com um lembrete e um recado para mim mesma (e para quem mais servir): não desista (de novo) por causa de nada disso. Preciso me lembrar também de que posso, sim, eleger algumas referências para me inspirar em quem já está há mais tempo na estrada que eu quero trilhar, mas não devo ficar muito tempo “olhando para os lados” ou vigiando quantos mais estão fazendo e o que estão fazendo.

Vi outro dia um post de uma pessoa que está se tornando referência em marketing digital, principalmente entre as mulheres, dizendo que, para focar em criar os próprios posts e outros materiais, ela silencia os perfis de todos os “concorrentes” e afins para não sentir que o que ela está fazendo é pouco ou que está ficando para trás, sensação que tendemos a ter constantemente ao nos compararmos demais (quem nunca?). Aliás, acho que a pergunta certa seria: quem sempre?

Mais fichas caindo

Desde que escrevi um texto sobre música eletrônica mineira para o blog de um cliente muito querido (faço freelas de marketing de conteúdo) e descobri que existem inúmeros artistas dos quais eu sequer tinha ouvido falar até então, fazendo sucesso mundo afora — vários dentro de um mesmo nicho, que é super específico — , caí na real de que sempre haverá espaço e público para quem é realmente bom(a) no que faz e, principalmente, se dedica verdadeiramente ao seu ofício.

Sabe aquelas coisas que sempre falam, a gente até ouve, entende e concorda em um primeiro momento, mas no fundo duvida que vá funcionar para si mesmo(a)? Aí já entra também a tal da síndrome do impostor, que tem sido tão debatida nos últimos tempos (e que bom!). Embora muito relevante, de fato, essa é uma pauta que já está sendo levantada e discutida em vários meios e por várias pessoas, então não vejo necessidade de me alongar sobre ela aqui.

Entendo, ainda, que sou extremamente privilegiada por passar por todos esses dilemas pessoais e profissionais tendo uma vida minimamente estruturada graças à minha rede de apoio. Embora isso também possa ter me deixado acomodada, ter o básico garantido sem que eu precise me preocupar com isso, além de ser um privilégio, me dá uma grande “vantagem competitiva” . Em vez de me sentir culpada ou fracassada, preciso transformar isso em combustível para ir além e, quem sabe, puxar outras pessoas junto comigo.

Não sei se um dia me perdoarei pelo tempo que não escrevi (dramática, eu?), mas de alguma forma esse hiato na minha história com a escrita também me proporcionou lições e aprendizados fundamentais para que eu siga em frente e coloque meus dons e talentos a serviço do mundo e das pessoas, seja como for. O primeiro passo eu já estou dando: parar de chorar o leite derramado (mania que eu tenho, sabe?).

Conforme ressaltei antes, espero um dia poder viver disso — só não deixarei mais de escrever, mesmo que esse desejo não se realize por completo. Assumir esse compromisso publicamente é só mais uma forma de me compelir a cumpri-lo.

Publicado por Maíra Caixeta

Jornalista por formação e escritora por paixão. Trabalho com marketing de conteúdo, faço "bicos" como maquiadora, amo viajar e comer, então resolvi criar este espaço para compartilhar um pouquinho de tudo isso.

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