Eu cansei de ser essa metamorfose ambulante…

Experimentar, testar, mudar de rumo, de opinião… Tudo isso é muito bom. Até certo ponto. Chega uma hora em que cansa. Queremos ter algumas definições e saber, pelo menos, que estamos no caminho certo — ou algo próximo disso.

Eu, que não sofri quase nada para decidir para que ia prestar vestibular (a área de Comunicação sempre me chamou mais a atenção do que qualquer outra), depois que me formei, há 5 anos, me vi completamente perdida.

De lá para cá, já fiz freela de repórter em revista (e ainda vendi os anúncios), de redação e revisão, já vendi semijoias e cosméticos, fiz maquiagens — veja mais sobre essa experiência aqui — , tive uma passagem curta por uma agência de publicidade e um único emprego formal, como analista de conteúdo, por 2 anos.

Antes disso, fiz estágios em TV e assessoria de comunicação empresarial. Ou seja, uma verdadeira salada! Nada que indicasse uma tendência mais clara.

Eu ansiava muito por esse momento da minha vida, em que teoricamente teria o poder de decidir como gostaria de viver e o que gostaria de fazer, depois de cumprir todas as obrigações com escola e universidade, que tanto me sufocavam.

Participei de inúmeros processos seletivos e disparei currículos para todos os lados. Um dia, limpando minha caixa de e-mail, fiquei chocada ao me dar conta de quantas tentativas eu já fiz, quase nenhuma muito certeira.

O único emprego que me lembro de querer muito era o de trainee na Fundação Lemann (infelizmente, não rolou). Durante a minha graduação, tive a grata experiência de dar aulas no cursinho popular e me apaixonei pela Educação.

Já falei “sim, tenho interesse” pra muito emprego que não tinha nada a ver comigo ou com o que eu queria, simplesmente pela pressão de supostamente precisar ter um emprego e ser aceita socialmente para provar meu valor, já que eu era uma “jornalista formada”.

Por causa disso, tinha muita dificuldade e até um pouco de vergonha — shame on me! — de investir nessas oportunidades que surgiram em meu caminho. Encarava apenas como “bicos” para ganhar algum dinheiro.

Consequentemente, não me dediquei o suficiente e, portanto, não sei até onde poderia ir ou o que esses trabalhos poderiam me render. Mas acredito no clichê de que toda experiência é valida, e cada uma delas me acrescentou algo, principalmente em termos de contatos e relacionamento interpessoal.

Hoje, tenho cada vez mais convicção de que meu “trabalho ideal” é autônomo. Gosto de trabalhar de casa, de ser dona do meu tempo e fazer meus próprios horários. Ainda estou desenvolvendo a disciplina necessária para que isso possa, de fato, funcionar bem para mim.

Minha busca por propósito não é de hoje. Sempre quis trabalhar com algo que estivesse alinhado com minha essência e que fosse relevante socialmente, contribuindo para fazer do mundo um lugar melhor para se viver e/ou para melhorar a vida das pessoas de alguma maneira.

Fiz Método CIS (Coaching Integral Sistêmico), Catálise e Laboratório (atualmente, Autoconhecimento na Prática e Liderança na Prática, da Fundação Estudar) e, mais recentemente, concluí o programa Viva seu Propósito (do Luz da Serra).

Também experimentei variadas terapias holísticas, como reiki, barras de access e constelações familiares, além de ter escrito um livro sobre o tema como trabalho de conclusão de curso, o famigerado TCC.

Atualmente, faço yoga, meditações guiadas, além de acompanhamento psicológico (terapia cognitivo-comportamental) — haja TCC na minha vida — e psiquiátrico. Em meio a tantas buscas, dúvidas, angústia e ansiedade, o maior desafio é recuperar/manter o equilíbrio emocional.

Li, ainda, vários livros, assisti a palestras e vídeos no YouTube… Enfim, tudo o que envolve autoconhecimento, desenvolvimento pessoal e afins desperta meu interesse e me atrai de forma especial. Sinto que já evoluí muito pessoalmente, mas profissionalmente ainda me sinto um tanto perdida.

Como falei outro dia nos stories do meu Instagram, eu me sentia frustrada por já ter feito tantas coisas nesse sentido e não ter ainda me encontrado. Acontece que comecei a me dar conta de que esse é um processo constante, que talvez nunca tenha fim. Afinal, sempre temos algo a aprender (mais um clichê verdadeiro), muito a evoluir e a vida é mesmo cheia de altos e baixos, para os quais precisamos nos preparar.

Só que, ao mesmo tempo, estou cansada de tentar, tentar e tentar… Sinto que até hoje não construí praticamente nada em termos profissionais.

Olho para trás e vejo um emaranhado de experiências curtas, em sua maioria, e que não se encaixam, pelo menos à primeira vista. Olho para frente e a visão é bem nebulosa, mesmo que eu alimente expectativas bem altas de futuro.

Sei que me boicoto, que me proponho fazer determinadas coisas e não cumpro e tenho dificuldade de colocar em prática os aprendizados que tive com os cursos, livros e terapias mencionados.

Para além da autossabotagem, existem a ansiedade e a depressão que, combinadas, resultam em um obstáculo aparentemente maior do que eu consigo lidar, muitas vezes.

Embora eu já esteja fazendo o tratamento recomendado, sabemos que essas coisas levam tempo para serem curadas ou amenizadas.

Tem dias em que quero abraçar o mundo e me falta energia para cumprir as tarefas mais básicas do dia a dia. Não tenho vontade nem de sair da cama. Sinto uma fadiga constante e uma angústia latente. Penso que preciso, de uma vez por todas, encarar a realidade e assumir as responsabilidades da vida adulta.

Mas há momentos em que ainda me vejo como uma criança indefesa, esperando alguém me salvar (de mim mesma, principalmente).

Tenho esperança de que tudo pelo que eu passo e já passei faça sentido em algum momento e seja útil quando eu finalmente encontrar meu verdadeiro propósito de vida. Tento aprender as lições que cada uma dessas situações pode me proporcionar, mas confesso que ainda não sou muito resiliente.

Na minha vida pessoal, já realizei um dos meus grandes sonhos, que era o de me casar. Acredito que, se eu aplicar a mesma energia e empenho que tive para organizar meu casamento — contei um pouco sobre como foi neste link — na minha vida profissional, tudo poderia ser diferente.

Mas ainda não descobri o que faz meu coração vibrar tanto quanto por esse sonho que me fez transpor todas as barreiras imagináveis, concretizando em um dia o sonho de uma vida, e de uma forma ainda melhor e mais linda do que eu poderia almejar.

Sobre essa história de trabalhar com o que se ama, tenho minhas dúvidas. Fosse assim, eu deveria trabalhar com casamentos, viagens ou maquiagem. Já tive um perfil dedicado a viagens no Instagram e já atuei como maquiadora algumas vezes, conforme mencionei. Mas sinto que a obrigação de fazer me tira o prazer. Complicada, eu? Bobagem!

Se você chegou até aqui, já deve ter percebido também que foco não é o meu forte. Agora mesmo, por exemplo, não sei se me preparo para ser mãe ou para viajar pelo mundo (dois dos meus maiores sonhos). Ambos exigem uma quantia considerável de dinheiro, certo?

Então, antes disso, seria bom descobrir logo meu propósito para trabalhar com prazer, entregando valor para as pessoas, e ver se, finalmente, a prosperidade vem.

O fato é que, do jeito que está, não dá para ficar. Preciso me refazer, mudar de atitude, reconstruir minha história e começar a construir uma carreira alinhada com o que acredito e que seja compatível com o estilo de vida que desejo ter.

Isso inclui também me alimentar melhor, me exercitar mais e todas aquelas coisas básicas que a gente sabe que precisa, mas nem sempre — ou quase nunca — faz.

Às vezes penso que nunca haverá tempo hábil para fazer tudo o que quero e preciso, me perco sem saber o que priorizar e acabo não fazendo nada. Também perco o interesse pelas coisas em um piscar de olhos. Me falta constância e consistência.

Tomara, Deus, que seja mesmo por falta de propósito e que, quando eu encontrá-lo, isso mude.

Escrever, por exemplo, é uma das minhas principais habilidades/paixões, que acabo não praticando ou aproveitando tanto. No fim das contas, acho mesmo que meu tão perseguido propósito esteja, como meu irmão disse certa vez, bem debaixo do meu nariz.

Acredito cada vez mais que ele esteja relacionado com Comunicação e produção de conteúdo. Mas sobre o que?

Terapias? Autoconhecimento e desenvolvimento pessoal? Viagens? Maquiagem? Educação? Casamento?

Para quem/que público? Em que formato e em que veículo/meio de comunicação? Texto? Vídeo? Blog? Redes sociais? Essas são perguntas cruciais que ainda faltam ser respondidas.

Cansei de lagartear. Quero, enfim, virar borboleta.

E se está passando ou já passou por situações parecidas, conte nos comentários como foi e como você lida com isso. Compartilhe sua história! Vou adorar saber e trocar ideia com você sobre isso. 😉

Publicado por Maíra Caixeta

Jornalista por formação e escritora por paixão. Trabalho com marketing de conteúdo, faço "bicos" como maquiadora, amo viajar e comer, então resolvi criar este espaço para compartilhar um pouquinho de tudo isso.

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