Ainda ontem, chorei de saudade

Porque crescer, dói!

Não tenho chorado muito, mas, um dia desses, chorei de saudade. Não visito meus familiares desde o último Natal. Sinto falta dos meus irmãos, das minhas primas, dos filhos(as) delas (meu afilhado e meus “sobrinhos(as)” do coração) e, ultimamente, mais ainda do colo da minha mãe.

Hoje, tenho a liberdade que sempre quis ter: minha casa, meu trabalho e estou começando a construir a minha família com o amor da minha vida. Embora estejamos distantes fisicamente tanto dos meus familiares quanto dos dele — e isso nos faz valorizar ainda mais os momentos que temos com eles — adoro BH (onde moramos atualmente).

Contudo, não me esqueço das minhas origens. Sinto, como disse ao meu marido, que estou me desconectando da minha essência quando passo tanto tempo sem ir à minha cidade natal, Patos de Minas.

Gostaria de ter escrito esse texto no auge da minha emoção, certamente conseguiria transmiti-la melhor e teria mais o que dizer (inclusive já estive lá uma vez depois que comecei a escrevê-lo, mas ainda não foi suficiente para matar minha saudade).

Esperamos ansiosos(as) pelos 18 anos, na ilusão de que “vou poder fazer o que eu quiser”. E não imaginamos o quanto é difícil quando o rumo da nossa vida só depende das nossas escolhas e está inteiramente em nossas mãos. Na adolescência, reclamamos de ter alguém sempre nos dizendo o que fazer. Na vida adulta, muitas vezes nos sentimos perdidos e só queríamos ter alguém que nos apontasse o caminho.

Hoje, já vivo alguns dramas que meus pais viviam, inclusive pelos quais eu os criticava. Sinto na pele o quanto é fácil “se acomodar”, o quanto é difícil controlar o dinheiro, vivencio os desafios da convivência conjugal e começo a pensar no quanto os julguei de forma injusta e precipitada — e olha que nem sou mãe ainda (não dizem que quando temos filhos é que começamos a entender nossos pais?).

Estou em um processo de aceitar as coisas (e as pessoas) como elas são e não como eu gostariam que elas fossem. Muitas vezes, a distância entre o que a gente idealiza e o que a gente realiza é enorme — e cruel.

Eu falo que vivo duas vidas: a real e outra inventada. Há momentos em que é difícil encarar a realidade — mesmo que eu tenha bastante consciência do meu lugar de privilégio e de todas as oportunidades e regalias que tive/tenho nessa vida.

Aliás, acho que isso é o que mais “pega” para mim. Diante das circunstâncias da minha vida e das condições que tive, acredito que fiz muito pouco, o famoso “não fiz mais do que minha obrigação”.Me cobro muito pelo que deixei de fazer ou pelo que acho que poderia ter feito, e vivo com a sensação de que nunca vai dar tempo de fazer nem metade do que eu gostaria. Querendo ou não a gente se compara com os outros, né? Ainda mais em tempos de redes sociais repletas de “estrelas precoces”. Muitas vezes, sinto que estou “ficando para trás”.

Uma amiga que leu meu texto anterior (“Escrever e/ou maquiar?”) me falou exatamente isso: que eu me cobro muito. Nada menos que a perfeição me interessa, e estamos cansados de saber que perfeição, bom… Em tese, não existe. Fato é que, como eu refleti junto a ela, ninguém É ou TEM o MELHOR quando começa, seja um novo negócio ou um novo emprego, seja um hobbie ou um projeto pessoal/profissional.

Acho que por isso coleciono muitos começos e poucas conquistas reais, pelo menos do ponto de vista profissional. Preciso aprender a ter mais paciência e persistência, a dar o tempo das coisas — em todas as esferas da minha vida.

Eu sou muito imediatista, quero tudo pra ontem e tenho muita dificuldade em abrir mão de um prazer momentâneo em prol de uma realização futura. E olha que eu vivo sonhando com o futuro!

Pra quem me conhece, convive comigo ou conversou comigo nos últimos dias, nada disso é novidade. Tenho “fritado” nessas questões e compartilho frequentemente meus devaneios com meus amigos e pessoas mais próximas (esses anjes que Deus coloca na vida da gente). Devo cansá-los às vezes, porque até eu me canso de tantos questionamentos, o tempo todo.

O que estou tentando fazer agora é reunir todas essas reflexões/pirações e buscar concluir ou tirar alguma lição desse meu discurso, para, quem sabe, “virar o disco”.

Como minha chefe falou em nossa última conversa, meu marido vive falando também e tantas outras pessoas já me disseram, o que eu mais preciso é definir um foco (vide esse texto, que começou de um jeito, mudou completamente o rumo e eu não faço ideia de como vai terminar).

Sou uma pessoa muito indecisa, quero tudo ao mesmo tempo e, de repente, não quero saber de mais nada também.

E como disse minha psicóloga em minha última sessão de terapia, meu querer é enorme, mas, infelizmente, minhas amarras ainda são maiores (se alguém souber a resposta ou o caminho para se livrar disso, me conta pelamordadeusa!).

No fim das contas, o que eu mais quero (agora) é ter um trabalho que me proporcione realização e um bom retorno financeiro, que me permita contribuir para fazer desse mundo um lugar melhor para se viver e, principalmente, que me dê liberdade para visitar minha querida Patos de Minas quando eu bem entender! hahaha 🙂 É querer demais? Talvez… Mas enquanto sonhar ainda é de graça (ou não, né?), a gente vai tentando.

Publicado por Maíra Caixeta

Jornalista por formação e escritora por paixão. Trabalho com marketing de conteúdo, faço "bicos" como maquiadora, amo viajar e comer, então resolvi criar este espaço para compartilhar um pouquinho de tudo isso.

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